Sunday, December 11, 2005

( 2, 1 ) Javé, Ilumina o meu caminho!

Foto: (Magnum) Abbas, 1999 - 2000. Jakarta, Java.





(Oração a Javé)

Eu sou aquele, defronte do qual puseste o Teu caminho;
A quem Tu chamas de filho querido, e guardas na Tua infinita Graça;
É por causa de Ti, que a minha alma é Terra onde o universo existe;
Assim como o meu corpo é Arca onde depositas os Teus segredos.
...
Tu, que És Luz divina, conduz os meus passos;
Que És tudo o que me rodeia, transforma-me naquilo que hei-de ser;
Que És eu próprio, como eu sou Tu; Aquece o meu Coração;
Que És espírito e esperança; traz-me a paz!


in: João, 2.15 «Os caminhos da fé»
Textos: Fernando, C. Monteiro

( 1.2,4 )

Foto: (Magnum) Abbas, 1999 - 2000. Teluk Intan, Malásia.





E depois de partilharem o pão e o vinho, ajoelharam-se frente a frente pelo tempo de uma breve oração, partilhando também, as palavras.

in: Paulo, 10.12 «A Mensagem»
Textos: Fernando C. Monteiro


( 1.2,2 )

Foto: (Magnum) Abbas, 1999 - 2000. Khaze Khan.




João ouvira-o atentamente, com a inevitável certeza de estar perante o seu Salvador. Partilhou então, o pão e o vinho que tinha sobre a mesa, enquanto experimentou uma paz infinita invadir-lhe a alma, e apaziguar a ira escondida no seu coração, contra o mal e as injustiças do mundo.

- Que será de ti? – Perguntou João.

- Não sei. Seguirei apenas a voz de meu Pai, para que a semente possa florescer, e reforçar as suas raízes.

- E eu, Mestre? O que será de mim quando tu partires? – Perguntou.

- Ouve o teu coração, e segue o caminho que ele te mandar pois esse será o que Deus há-de querer que sigas. Quanto a nós dois, na verdade esta será a última vez que estamos juntos, sem que alguma vez venhamos realmente, a separar-nos. Tu és o meu Irmão querido, e os teus pés levar-te-ão ao teu destino, tal como os meus me conduzirão ao meu. No entanto sabemos como as estradas de ambos conduzem ao mesmo lugar; que é o coração dos Homens, e por isso, sempre haveremos de caminhar juntos.

- Encontrar-te-ei então, para sempre no meu coração, Mestre. - Respondeu João.
in: João, 1.55 «Os caminhos da fé»
Textos: Fernando, C. Monteiro

Saturday, December 10, 2005

Mostra-me o caminho, Javé! ( 1.2. )

Foto: (Agence Magnum) René Burri, France 1997.





- Disse-te um dia, que não podias semear o amor, nos lugares onde não houvesse espaço para lançar a semente – Continuou João – mas tu não me quiseste ouvir, e em lugar disso foste esperar por um sinal do teu Pai, quando não podias obter Dele outra coisa, que não fosse a resposta que tu próprio desejavas que Ele te oferecesse. Mestre, ambos sabemos, que Deus não existe para além do Homem porque Ele faz parte da sua criação, e é instrumento do seu mistério. Por isso é que tu és Deus, tal como eu sou. Só por essa razão Ele nos diz coisas diferentes, e embora ambos os nossos caminhos conduzam ao Seu, seguem por lugares opostos.

- Eu sei, João… mas porque insiste Ele em dizer-me, que eu sou ainda, o Seu filho querido vindo à terra para voltar a redimir os Homens? Por um acaso não lhe terá o passado servido para descobrir, que a minha vinda não basta para mudar a Humanidade, se os Homens não estiverem preparados?

- Porque tu és, de facto, o Seu filho querido. Mestre! – Respondeu João – Porque a Humanidade precisa de ti, e dos outros como tu! Lembra-te que não és o único. Nunca foste, e mesmo agora não serás. Todos aqueles que dedicam as suas vidas ao bem dos seus Irmãos, aceitando igualmente os Homens, independentemente das suas diferenças são, também, os salvadores e filhos queridos de Deus. Porém, sobre ti apenas recai maior responsabilidade, pois tens consciência de quem és, e do que tens ainda, para fazer nesta terra.

- Mas como pode um Homem salvar quem não espera ser salvo, João?

- Tu encontrarás o teu caminho, Mestre! Procura-o bem fundo, pois ele tem estado sempre sob os teus pés.

- Se assim é, porque razão não sei o que fazer agora mesmo, João, quando olho para o mundo e vejo as crueldades de que o Homem é capaz em nome de Deus? E porque motivo sinto crescer em mim o medo de revelar quem sou, de facto, como se algo me obrigasse a renunciar à minha própria identidade?

- Sabes – Respondeu João – mesmo tu, Mestre, terás que te confrontar com as dúvidas e o medo; porque tal como os Homens és carne. Porém, o teu coração dar-te-á forças para cumprires o teu destino. O que importa é a mensagem que tens para transmitir aos teus Irmãos, e não a tua identidade, porque o mensageiro não é realmente importante.

- Mas porque hei-de eu esconder quem sou, quando vejo tantos anunciarem as vontades de Deus, como se estivessem capazes, realmente, de falar em Seu nome, e tivessem sido escolhidos por Ele para o fazer junto dos seus Irmãos? Nenhuma Igreja tem legitimidade para impor a vontade do meu Pai aos Homens, João! Nem tão pouco pode proclamar a verdade do seu Livro, como se fosse o Dele, porque todos os Livros são obra Humana. O Livro do meu Pai é aquele que nunca foi escrito. É apenas uma voz no coração, que nos diz que todos nós podemos ser Seus filhos queridos, se amarmos aos nossos Irmãos igualmente. Que nos diz, que mesmo quando nos perdermos não estaremos realmente perdidos, se nos quisermos encontrar. Nesse Livro, todos os deuses são Deus, porque Ele é criado à imagem de cada Homem; feito na medida do seu pensamento. Por isso não são precisos Templos, nem sacerdotes. Cada ser Humano é um caminho para Deus, e a sua alma é o Templo Dele.
É esta a mensagem que trago para revelar ao mundo, João. A mensagem da nova esperança, que há-de florir, apenas quando a Humanidade acabar com todas as Igrejas, e quando os Homens acordarem para se descobrir enquanto Homens.

- Será esse o caminho do novo sacrifício, Mestre. – Respondeu João. – Serás apenas a semente da nova mensagem se os Homens a quiserem ouvir.

- Serei apenas a água para alimentar o seu crecimento, porque a semente já foi lançada à terra. Não vês como são cada vez menos os Homens, que seguem os caminhos da nova Igreja? E quando essa se houver desmoronado quase completamente, virão as outras, porque à medida que o conhecimento avança o Homem também, progride. As Igrejas do presente estão destinadas às minorias, e acabarão por ser feitas pelos Homens, que de livre vontade escolherem as palavras de Deus, segundo cada uma delas. As Igrejas do amanhã serão aquelas que celebrarem o Homem, e se basearem na sua natureza, e não no pecado, como conceito primordial da sua fundação. É por todas estas razões, que embora as dúvidas, e o medo de me anunciar aos Homens, me encham a alma, sei que não há outro caminho para mim. Tal como dizes, a mensagem é importante, mas a revelação do mensageiro faz parte dela.
in: João, 1.50 «Os caminhos da fé»
Textos: Fernando, C. Monteiro

( 1.1,2. )

Foto: (Magnum) Abbas, 1999-2000. Tulun, Cairo.



Subitamente, uma mão veio afagar-lhe o ombro, e interromper-lhe os pensamentos.

- Mestre, porque razão te atormentas tu?

Virou o rosto, e encontrou João a seu lado. Tinha um olhar perplexo, como se procurasse entender as razões que lhe atormentavam a alma e o impediam de ver claramente o caminho.
in: João, 1.25 «Os caminhos da fé»
Textos: Fernando, C. Monteiro

Friday, December 09, 2005

Eu sou a Casa de Javé ( 1.1. )


Foto: Matei Glass (Haram Al Shariff, Jerusalém, 1997 )







- Pai! Disseste que eu era o Teu filho querido, e anunciaste aos homens que havia de ser o Teu cordeiro; aquele que tiraria todos os pecados do mundo, e por essa razão me mandaste para morrer na cruz, e entregar o meu corpo e o meu sangue para salvação da humanidade…
Que mais pretendes Tu deste teu filho agora, e porque razão me atormentas com a Tua vontade, depois de tanto tempo? Por acaso não vês, que o homem é o seu próprio deus, que forja na Tua Palavra a sua espada, sob o pretexto de estar a servir-Te, mas apenas para se servir de Ti?
Não saberás Tu ainda, ao final de tanto tempo, que é o desejo da humanidade aquele que impera sobre o mundo, e que tal como sempre foi, assim haverá de continuar a ser? Não foste Tu, por acaso, quem me disse um dia, que eu havia de fundar o Teu Reino nesta terra, quando em lugar disso, o meu sacrifício apenas serviu para a fundação da nova Igreja, e para aumentar a discórdia entre os Homens ao longo dos séculos?
Digo-te hoje aqui, Pai, que o Teu Reino é maior no coração daqueles que sofrem, e que a sua duração tem o tempo que houver de durar o seu sofrimento; porque só se vira para Deus quem sente as dores desta vida na própria carne.
A verdade é, que Tu És o caminho para a consciência humana enquanto eu sou um dos Teus instrumentos para chegar a Ti. És o Deus do ritual da Alma; o lado oculto do Homem, o mistério do mundo, e jamais serás outra coisa, tal como os seres humanos não poderão ser diferentes daquilo que são...
Quando olhei para Ti, vi-me a mim próprio! Ouvi o batimento do nosso coração em uníssono, mas notei que era apenas o meu próprio coração que batia no interior do peito, a rebentar de dor; tal era a profundidade do sofrimento de procurar por Ti na alma dos Homens sem Te conseguir encontrar, senão naquelas dos que sofriam…
Porque razão me fazes Tu agora, mais uma vez, ter que passar por tão grande desespero à força de me quereres ver impregnado pela Tua vontade? Não verás por acaso, que o mal do Teu povo não tem bem, igualmente grande, que se lhe oponha?
Por causa de teres ocultado a Tua face o Homem tem seguido diferentes Leis, em diferentes partes da Terra, dizendo sempre aos seus Irmãos: «Eis o que nos manda o Senhor nosso Deus!», e como podes Tu esperar que assim não seja, quando falas desigualmente, a todos, sabendo que a Tua voz só encontra força na palavra dos poderosos, e daqueles que se apropriaram de Ti, como se Tu pudesses escolher os Teus intermediários para falar aos Teus filhos?
Se Tu fosses Deus para além do Homem, por acaso não terias já revelado o Teu rosto à Humanidade, e unido o Teu povo num único rebanho? E se o tivesses podido fazer, não teriam os Homens aceitado igualmente, a Palavra do Seu Senhor, e seguido o Teu caminho sem hesitação?
Porque misteriosa razão havias Tu de ficar quieto enquanto por toda a terra se edificavam Templos, que não serviam senão a vontade daqueles que se aproveitaram de Ti para seu próprio poder entre os demais irmãos, e sua própria glória, e não para Tua, se não fosse porque fazes parte da criação Humana?
Se eu existo, prova-me também, que Tu existes para além de mim, e serei Teu! Mostra-me o rosto, e farei a Tua vontade! Porque razão há-de este filho fazer a vontade do seu Pai, quando nem Ele pode faze-la? O Teu poder de me conduzir os pés descalços sobre o caminho não se compara com o meu poder para Te ouvir! Prova-me que existes para além de mim, e serei Teu! Porque me abandonas Tu sempre, que te peço para me mostres a Tua face? Porque me ofereces apenas sinais, que eu próprio posso ver no meu caminho; como se esses pudessem bastar-se para provar a Tua magnífica existência?
Uma vez disseste-me: « - Olha para dentro de um punhado de areia, e eu estarei lá! Procura-me no meio das águas turvas, e achar-me-ás…», e depois revelaste-me, que existe uma força invisível a ligar todas as coisas do universo; e para o provares lançaste uma pedra sobre uma taça de água, que transbordou quando o fizeste. Explicaste-me então, que tal como a pedra todas as coisas ocupam espaço, e exercem força sobre as demais, que existem no universo, e que Tu eras essa força. Foi assim que descobri, que eu, Teu filho querido, sou um símbolo da Aliança entre o Homem e o seu Deus, e que os Teus filhos são as próprias Arcas dessa Aliança. Na verdade Tu não passas de mim próprio, tal como a Tua vontade é apenas o meu desejo. Tens o poder que tem o espírito Humano, e não mais, nem menos do que isso. És tudo e És nada ao mesmo tempo… Precisas do Homem para existir, como a noite precisa do dia.
in: João, 1.25 «Os caminhos da fé»
Textos: Fernando, C. Monteiro